Casa da Vizinha : projectos : SA45 Ecocentro da Ribeira Grande

projectos

SA45 Ecocentro da Ribeira Grande

Carlos Sant’Ana e Isabella Rusconi com Inês Melo e Andrea Cunsolo

Dec 11, 2009 - 03:25 PM
SA45 Ecocentro da Ribeira Grande

UMA ESTRATÉGIA DE ECO-TURISMO PARA S.MIGUEL

AÇORES > IN
Durante décadas, milhares de açorianos abandonaram a sua terra em busca de um local onde conseguir construir uma vida melhor. Uma vocação de ser terra de origem de emigração. Apesar de deslocados espacialmente, a paixão pelo verde das ilhas e pelo azul do mar nunca os abandonou. Com a viragem do século surge uma importante mudança.

TURISMO ACTIVO
A sociedade contemporânea ganhou nos últimos anos uma consciência social e ecológica bastante ampla. O reconhecimento das boas práticas e da preservação de zonas verdes tem como consequência o surgimento de um novo tipo de turismo. Ultrapassada a época das 12-horas-por-dia-de-barriga-para-cima-e-pé-descalço, cujo único objectivo era estar passivamente num lugar onde houvesse sol e praia a custo reduzido, temos agora uma nova geração de turistas activos. Pessoas que viajam com vontade de conhecer outras culturas e partilhar novas experiências. Viajantes que, cansados de ver o mundo pelos olhos da “caixa-mágica”, decidem viver na primeira pessoa as emoções de ser um turista do século XXI.

Analisando as conexões aéreas de S.Miguel, descobrimos relações com os grandes centros urbanos da sociedade ocidental. Entre voos directos e indirectos regulares, a cidade de Ponta Delgada tem um potencial de visitantes -moradores nestas áreas urbanas- de 77 milhões de pessoas.

É este o nosso alvo. Pessoas urbanas, com poder de compra e vontade de estarem num lugar para conhecer e desfrutar de um troca constante.

ESTADO DA SITUAÇÃO
S.Miguel é uma ilha com uma paisagem única. A relação entre a natureza vulcânica e a paisagem transformada pelo homem durante o século XIX resulta numa combinação idílica, numa visão de sonho para um mundo melhor, onde a harmonia entre o urbano e o natural coexistem na perfeição. Uma ilha onde o entendimento do ambiente natural permite uma estratégia de ocupação pela integração. É a maior riqueza da ilha neste momento, e deve ser preservada a todo custo. Para tal, devemos ter atenção e restringir o crescimento urbano, pois se for pensado de modo deficiente poderá colocar em causa a existência de toda a paisagem e consequentemente colocar em causa o próprio turismo que a procura.

ESTRATÉGIA SOCIAL AMBIENTAL E ECOLÓGICA
É assim necessário actuar em três frentes distintas, mas complementares. Numa materialização dos três pilares da Sustentabilidade -Ambiente, Economia, Sociedade- procuramos ampliar e re-direccionar as potencialidades do lugar.

Ambiente porque cada peça incorpora um Centro de Interpretação, onde podemos educar e divulgar as características ambientais da ilha e da zona. Economia porque criamos postos de trabalho para as pessoas locais, de modo a dinamizar e criar condições de manutenção e sustentação económica da região. Sociedade porque criamos locais de estadia onde os visitantes globais possam ficar e descansar, dedicando algum tempo a trocar ideias e conhecer a rotina da cidade local.

RIBEIRA GRANDE
A localização da Ribeira Grande é aqui uma grande vantagem. Em resposta á capacidade centralizadora de Ponta Delgada -não apenas na ilha mas em todo o arquipélago- temos a cidade de Ribeira Grande. Localizada na Costa Norte de S.Miguel está bem conectada com a capital e com o aeroporto. Mas a sua grande vantagem é poder servir de ponto de partida e chegada de uma Rede de Percursos Naturais. Trilhas de Pequenas Rotas, passíveis de uso a pé, bicicleta ou cavalo. É aqui que conseguimos conectar com naturalidade o norte com o sul, o este e nordeste com o oeste, e assim servir de grande interface de turismo e educação ecológica.

CENTRO DE ECO-TURISMO
Esta rede é formada por seis centros de Eco-Turismo. Seis pontos de partida e chegada que permitem pensar tacticamente em circuitos de sete dias - seis noites na ilha de S.Miguel, visitando os locais de maior interesse da ilha e ao mesmo tempo descentralizar a actividade económica e turística na ilha. Assim, cada localização está pensada para poder permitir o conhecimento da realidade. Seis edifícios em estrela. Uma forma que serve de re-distribuidora de fluxos turísticos. Uma forma elegante, elevada do solo, com pouca pegada ecológica e revestida a Basalto negro, como toda a pedra que vemos ao caminhar pela ilha. Uma arquitectura que serve de educador ambiental, interface económico e condensador social.

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