Casa da Vizinha : projectos : Residência de Estudantes da Universidade da Corunha

projectos

Residência de Estudantes da Universidade da Corunha

João Miguel Pedrosa Rodrigues, Alexandre Ferreira, Hugo Pinho Santos, Bruno França Lopes, Irene Antolini

Dec 12, 2009 - 03:15 PM

O lugar ocupa um vale nas imediações da cidade, entre as encostas de cultivo e pequenos aglomerados, diluído no recorte da costa galega. A cidade perfila-se no horizonte, toda península e o seu imenso porto, estende-se até nós em longos braços: avenidas, caminhos-de-ferros, armazéns, refinarias. O campus universitário surge em continuidade, ocupando os sopés das encostas, organizando os seus longos volumes sobre os antigos campos. Há um sentido inevitável de conflito de escalas a que implantação massiva de um novo uso influi sobre as estruturas rurais, resultando como é o caso, numa leitura decomposta de episódios urbanísticos, sobreposição de escalas e formas e de uma manipulação mais intensa da morfologia dos terrenos. Nesta efervescência, entendemos que a proposta deverá assumir a sua condição de elemento mediador, criando uma relação de continuidade em conformidade com todo o vale. A manipulação do espaço é encarada como uma sugestão formal da topologia do lugar, mantendo o enquadramento e diluindo o impacto visual da edificação.
O sentido do projecto é a de propor uma ideia de paisagem unificada, definida na adaptação ao território e potenciando um estilo de vida ligado aos valores de partilha social e usofruto da ecologia. Deste modo, a forma segue os predicados do lugar, a arquitectura insinua-se silenciosa e aposta nas qualidades relacionais com o território.
Neste contexto multireferencial centramo-nos em alguns elementos tradicionais da organização espacial do mundo rural (o muro, a estrutura ecológica, os espaços de cultivo, e a acopolação ao terreno), compondo uma hierarquia posicional para as diferentes funções da residência universitária. Por outro lado, foi necessário afirmar pontos de contacto e de comunicação com a envolvente, criando-se para tal elementos referenciais (torre de monitorização) ou espaços de destaque (praça de acolhimento, auditório natural).
A estruturação da implantação desdobra-se em duas dimensões: uma macro-estrutura de orientação e unificação, e uma micro-estrutura sequencial e de diversificação. A macro-estrutura é definida pelos muros e é desenhada sobre as linhas de cota do terreno. Decompondo o lugar em plataformas, buscando a elasticidade proporcionada pela topografia, os muros são o elemento visível da edificação e enlace dos vários acessos. A micro-estrutura está presente na partição espacial obtida pela explanação linear do programa funcional, criando uma grande diversidade de ritmos e relações amplas com o exterior.
Não obstante, o programa funcional proposto consistir essencialmente em espaços privados, entendemos que o valor de sociabilidade inerente ao próprio equipamento, exigiria maior protagonismo dos espaços públicos. Desta forma, a proposta aposta numa amplificação das relações interior/exterior/interior em favor de um sentido de infinidade e intemporalidade da própria edificação. Os quartos são organizados sob diferentes tipologias ao longo da linha dos muros. Os muros que são eles próprios apenas uma membrana permeável, composta por lâminas de madeira reguladas em função da intensidade e direcção dos raios solares, sendo que para cada quarto, uma das lâminas é composta por um painel solar. Cada quarto organiza-se em torno de um pátio exterior,
permitindo distinguir as áreas intimas das áreas sociais de cada tipologia, pemitindo uma relação visual mediada e variada entre todos os espaços. Os pátios permitem não só aumentar a luz sobre os espaços interiores como complementam o conforto térmico nas trocas de calor com o exterior bem como têm capacidade para reter as águas pluviais que serão posteriormente reutilizadas para o uso doméstico e rega dos espaços exteriores. Os espaços exteriores são uma composição de espaços de vegetação e espaços de cultivo, desenhados sobre a matriz das tipologias, que servirão não só a comunidade estudantil, como também os espaços de cultivo poderão ser concessionados aos habitantes locais.

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