projectos
Instante Oásis
lok arquitectura - Ana Isabel Valfigueira, João Trigo, Pedro Januário Gomes, Pedro Viana
Dec 14, 2009 - 11:20 AM
o instante
A educação ambiental começa na partilha de ideias e práticas a qualquer instante. É em torno deste encontro e diálogo que se gera o espaço dos visitantes e habitantes da aldeia.
A vivência do oásis na cultura nómada exemplifica este instante. O instante oásis é um vazio aberto ao imprevisto e à situação, à troca, à actualização informativa sobre o ambiente, etc. É um espaço livre para a comunicação.
a sustentabilidade
Imagine-se um oásis em movimento ao longo da costa portuguesa, capaz de se abrir à experiência de todos. O oásis oferece excedente energético gerado a partir dos recursos dominantes na costa, que alimentará multimédia permanente e eventos de sensibilização ambiental. Com uma área de 28 m2 de painéis fotovoltaicos é possível um consumo simultâneo de usos genéricos e domésticos, com equipamentos comuns a um lar urbano.
O consumo de água pressupõe um sistema simples e portátil de reciclagem e reutilização. O oásis move-se também para abastecer água, e reutiliza a água que consome para se mover, convertendo-a em hidrogénio e oxigénio, utilizando o gás de hidrogénio como combustível.
a abertura
A aldeia fará viagens curtas com um número considerável de paragens. Quando compacta torna-se facilmente transportável por um só veículo. O espaço compacto exige aos utentes a sua partilha, imprimindo-lhe uma permanente vitalidade.
O bloco, ao ser instalado e aberto, funda o espaço vazio de acesso e fruição plena para as suas actividades ao ar livre. Esta abertura torna o conjunto adaptável ao contexto e tem inclusive capacidade de se sobrepor a funções pré-existentes.
As baterias eléctricas e as cisternas de água localizam-se nos topos, concentrando as actividades que abastecem directamente. A autonomia de cada bloco permite que seja o dia-a-dia dos habitantes o gerador de interdependência entre as duas.
a casca e o interior
A casca em placas de cortiça abarca as funções de isolamento térmico e impermeabilização do interior. Os usos têm um carácter elementar e partilhado numa construção regular em aço leve, divisórias em painéis de OSB com aberturas para ventilação e iluminação natural.
O topo de uso doméstico agrega 1 zona de confecção de alimentos e 1 lavatório comum, 2 duches e 2 instalações sanitárias. A área de duche funciona também interiormente como copa.
O topo de uso genérico agrega 1 zona com terminais para aplicações multimédia e 20 paralelepípedos de cortiça para mobiliário exterior. No interior existe 1 área de armazenamento (de material, alimento e de resíduos).
A zona de habitáculos organiza-se entre os dois topos: dois eixos longitudinais de camas sobrepostas com espaço de circulação central. Cada compartimento tem uma prateleira para arrumos, portadas e cortinas individuais, garantindo personalização ajustando o grau de privacidade, ventilação e iluminação natural.
Da mecânica simples de painéis e bancadas acontece simultaneidade interior e exterior, privada e pública, por dentro e em torno da aldeia. Cabe aos utentes permitir e interditar funções, atribuindo ao espaço flexibilidade, segurança, vitalidade e uma utilização constante.
