projectos
H20use, Uma casa para as cheias
Ivo Sales Costa e Rita Araújo Cruz
Dec 11, 2009 - 04:17 PM
A H2Ouse nasce da necessidade em encontrar soluções para catástrofes como as que ocorreram em Moçambique nos Invernos de 2000 e 2005, em lugares habitáveis onde a condição de perigo, apesar de significativa, é motivo insuficiente para desmobilizar uma população de mais de 100 000 habitantes.
A província de Gaza tem vindo a ser assolada ao longo da última década por cheias que atingem níveis superiores aos máximos registados em períodos semelhantes no início do século XIX. É também um dos mais prósperos patrimónios turísticos em Moçambique cuja paisagem e mais valias ambientais a tornam em destino de eleição, dentro e fora do país.
Deste modo propõe-se um esquema de habitação que contemple a subida das águas e a autonomia de meios em situação de crise e onde a solução programática se enquadre no modelo corrente. Dois a três quartos, uma sala de estar e cozinha e um quarto de arrumos aos quais se juntou um escritório e diversos espaços de apoio.
Opta-se por ganhar altura sobre a base, estabelecendo no núcleo central toda a mecanização de meios fundamentais para que o conjunto se mantenha sustentável no interior, ao mesmo tempo que responde ao lugar. Ao que ocupa e àquele cujo propósito de construção define o seu desígnio.
Pretende-se responder a um problema que não exista como imposição permanente no que ao habitar diz respeito. Uma variável que não invalide, mesmo com as restrições que imponha, a possibilidade de vivência.
A subida progressiva do nível das águas é uma das questões que deve ser encarada como parte fundamental na abordagem aos temas da sustentabilidade.
As premissas que validam discussões recorrentes sobre eco-arquitectura e potenciação do uso de energias renováveis na construção não devem excluir o tema sob pena de na dissertação energética se considerar exclusivamente a exploração tecnológica das soluções. Meio caminho para se criar um principio de capitalização das respostas.
Mantém-se o respeito pelo sítio e propõe-se a construção com matérias-primas locais. A resposta é feita pela Arquitectura.
