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Fachada no Instituto Geográfico Português

Elsa Caeiro, Arquitecta

Dec 14, 2009 - 12:22 PM
Fachada no Instituto Geográfico Português

A intervenção surgiu da necessidade requalificar a fachada principal do Instituto Geográfico Português, que se encontrava inacabada e exposta aos agentes atmosféricos, de forma a evitar a degradação da estrutura. De acordo com o solicitado, e por uma questão de restrição orçamental, manteve-se integralmente a estrutura de betão existente.
O Edifício do Instituto Geográfico Português é um edifício centenário que já albergou diversas funções, e que sempre teve a capacidade de se adaptar às necessidades. No entanto, uma intervenção pouco cuidada do início dos anos 90 destruiu parte de um dos corpos, para criar uma estrutura moderna em betão, que ficou inacabada.
Perante um contexto tão delicado, havia necessidade de devolver a dignidade ao edifício, no entanto tínhamos como restrição a obrigatoriedade de manter a estrutura existente e um orçamento reduzido, que obrigava a deixar inacabada a requalificação dos espaços interiores.
Propusemos a criação de uma pele que permitiu reciclar e proteger a volumetria construída, protegendo-a dos agentes atmosféricos, conferindo-lhe dignidade e permitindo ao mesmo tempo a ventilação dos espaços interiores. Procurámos, desta forma, compatibilizar a estrutura existente com um revestimento que se integre e valorize o património edificado e a envolvente urbana, de modo a contribuir para o equilíbrio do conjunto, estabelecendo um diálogo contemporâneo com o edifício construído.
Foi necessário criar uma estrutura autoportante para a criação das paredes exteriores, pois as lajes existentes encontram-se desfasadas, não permitindo a construção de paredes contínuas. Assim, optámos pela criação de uma estrutura em perfis de aço leve galvanizado que foi suspensa na laje e viga superior e fixada a todas as lajes, de forma a constituir um perfeito travamento da mesma, libertando o piso de entrada para a criação de amplos envidraçados.
A escolha do sistema estrutural teve que ver sobretudo com a sua leveza, flexibilidade e rapidez de execução. A resistência e ao mesmo tempo flexibilidade do Aço Leve Galvanizado, permitem suspender toda a estrutura das paredes exteriores, sem sobrecarregar a estrutura existente.
Optámos por sistemas construtivos essencialmente secos, e por materiais naturais e recicláveis: madeira, OSB (constituído por fibras de madeira orientadas), painéis de gesso armado (constituídos por gesso e papel reciclado), reduzindo assim a contaminação do meio ambiente e as emissões de CO2.
A requalificação dos espaços exteriores, assegura a continuidade da intervenção, criando uma imagem de continuidade no seu tratamento. A utilização de material vegetal nesta área é de especial importância por ser um elemento fundamental para o conforto visual e higrotérmico.

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