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Condomínio Eco-Eficiente

Miguel Veríssimo

Dec 14, 2009 - 12:02 PM
Condomínio Eco-Eficiente

Nascido do desafio de um querido amigo, entretanto falecido, este projecto cresce bafejado pelo livre pensamento e vontade de um maçon transmontano. O Eduardo era um homem com um ódio profundo à escuridão e às más naturezas que toldam a terra.
Foi assim fácil virar-me ao sol, salvar o chão e arejar a “casa”. Consegui até à data da sua prematura morte dar uma considerável consistência ao projecto, do qual apresento uma versão resumida.

O módulo criado permite uma grande flexibilidade de tipologias – T2, T3, T4 (a que figura nas imagens).
Garantir o continuum arbóreo e vegetal foi uma premissa genética do conceito. Os alicerces e fundações, ocupam meramente 10% da área do terreno. E é na verdade, a única área impermeabilizada já que o pavimento das zonas de circulação automóvel pode ser executada com grelha de arrelvamento. Tudo o resto é para a flora…
As estruturas nucleares em betão-armado, funcionam de forma solidária – contendo as infra-estruturas da casa: a energia (PV ou Térmica) e uma parede de trombe dimensionada para poder melhorar o conforto das zonas comuns, àguas e saneamento, electricidade. Em cave, a recolha e redistribuição de águas cinzentas e pluviais e, o acesso à courete comum do condomínio que faz a ligação à ETAR e às redes municipais.
A inércia térmica do Betão, enriquecido pela utilização de inertes apropriados de forma a potenciar a sua capacidade de armazenamento, permite melhorar o funcionamento termico passivo do sistema. Além de ser aplicado de forma a melhorar a durabilidade da estrutura (recobrimento da armadura de aço com mais de 50mm - para uma vida útil acima de 200anos).

Assim, os esqueletos de betão, podem-se regenerar ao longo de vários ciclos, gerações e necessidades sociais assumindo diversas funções ou tipologias.

O betão aplicado nesse núcleo duro pelas suas propriedades determina os fluxos de energia pelo sistema. A restante construção é aligeirada: alumínio e madeira, isolamento térmico (cortiça) e impermeabilização, cumprindo o RCCTE. A cobertura ajardinada teve uma atenção especial. Nessa zona da casa, pelos materiais utilizados, compensa-se a energia incorporada e o impacte do betão.
De referir que, o sistema de rampas além de facilitar a circulação, optimiza a distribuição de forças das estruturas nucleares.
Por fim, a incidência solar controlada por sistemas de sombreamento devidamente desenhados, os vidros com um coeficiente U e g adequados, permitem a optimização das troca de calor int/ext sem comprometer a relação espacial com a paisagem e o arvoredo.

A formalização arquitectónica foi acompanhada por simulação térmica e lumínica recorrendo ao ECOTECT.
É um projecto executado para obter a máxima classificação em qualquer metodologia de análise de ciclo de vida (LCA).

Embora à espera de um destino considero-o uma reflexão sobre o “estado da arte”, do cruzamento entre arquitectura, energia e ecologia, o ponto máximo das técnicas e tecnologias passivas e possíveis. A partir daqui só a queda na alta tecnologia, onde procuro agora os caminhos para a maior eficiência dos sistemas e uma redução, que espero inimaginável, dos impactes ambientais dos habitats humanos

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