projectos
Concurso Médio Tejo
ateliermob
Dec 11, 2009 - 03:50 PM
Concurso Internacional para a Dinamização das Margens do Rio no Médio Tejo
Nas margens do rio Tejo, entre Abrantes e Vila Nova da Barquinha, desenvolve-se uma paisagem natural marginal ao território construído. Para as populações, a difícil relação com o rio, tradicionalmente conflituosa em tempos de cheia e pouco potenciada nos períodos de Verão e Primavera, pode ser verificada pelo desenho das estruturas urbanas e dos caminhos trilhados.
Contudo, embora se perceba que a população e o rio estejam de costas voltadas, o peso e a força identitária do segundo consegue, de uma forma natural, construir lugares e estabelecer um contexto coerente entre os diferentes territórios. Desta forma, entende-se que o lugar tem potencialidades naturais para ser estabelecida como um todo territorial ou unidade de projecto, tendo em conta que as suas geografias fundamentais não se compadecerem com limites administrativos. Neste contexto, considera-se que o discurso disciplinar da nossa intervenção, deve ser o de potenciar e reforçar os ritmos e traçados naturais, apostando na consolidação das estruturas de lugar existentes e pontuando-os com algumas novas geografias.
A intervenção proposta ao Concurso Internacional para a Dinamização das Margens do Rio no Médio Tejo preocupa-se, numa primeira fase, em hierarquizar os caminhos de chegada ao rio para que se torne de melhor acesso, sem que daí resultem quebras na integridade das margens e da paisagem natural. Por outro lado, embora a disparidade física, programática e geográfica das intervenções a concurso, dificultem a coerência global do todo, a utilização de uma única matéria em todas os momentos o betão, reforça os elos e a unidade geral do projecto. Procura-se assim, incentivar uma familiaridade entre as várias intervenções coisa que inicialmente poderia parecer impossível. Com as imagens apresentadas pretende-se provar que o material utilizado, o betão de geometrias claras, não conflitua com os elementos naturais da paisagem.
O desenho rigoroso para o qual o betão remete e a sua artificialidade genética, contrastam com a apropriação que a Natureza e, sobretudo, o Tempo farão das intervenções propostas. As arquitecturas e espaços construídos tenderão, ano após ano, a integrarem-se e a fazer parte da paisagem, não como objectos, mas como geografias construídas.
