projectos
Adaptação de Arrecadação em Moradia Unifamiliar
Elsa Caeiro, arquitecta
Dec 14, 2009 - 12:18 PM
A casa encontra-se localizada num terreno de características rurais, que possui um declive regular orientado para um amplo vale a poente, com a Serra da Estrela como cenário distante, e para norte para um amplo terreno arborizado, e surge da aspiração dos clientes de construir uma habitação integrada na envolvente. Em termos formais, a sua única imposição foi a cobertura em telha.
A casa de arrecadação existente encontrava-se implantada numa zona elevada, virando-se para a paisagem. Deste modo, resolvemos aproveitar esta localização privilegiada para criar uma habitação em que a relação com o lugar se torna estruturante em todo o processo de concepção do projecto.
A moradia desenvolve-se a partir de uma justaposição de volumes que acompanham o declive do terreno, procurando a melhor orientação solar e desfrutar da melhor vista.
Na distribuição programática optou-se por uma separação nítida de funções, o que gerou a criação de um corpo de cariz social, onde se reúnem o escritório, as salas de estar e jantar apoiados por uma pequena instalação sanitária, a cozinha, a lavandaria e a garagem, e um corpo de vocação mais íntima que se desenvolve perpendicularmente ao primeiro onde se concentram os quartos com as respectivas instalações sanitárias.
A eficiência energética é assegurada pela franca iluminação natural em todos os espaços e pelo conforto térmico obtido através de um conjunto de estratégias de arquitectura solar passiva, recorrendo a sistemas de aquecimento apenas nos picos de frio.
Os envidraçados encontram-se orientados sobretudo a sul e sudoeste, integrando alpendres e gelosias móveis. Estes evitam que o sol incida directamente no envidraçado, durante o Verão, impedindo, deste modo, o sobreaquecimento do espaço. No Inverno, devido à maior inclinação dos raios solares, o envidraçado permite a captação solar, aquecendo o espaço. A existência de gelosias móveis permite controlar o ambiente interior, tanto a nível de aquecimento como de iluminação e privacidade.
O arrefecimento e qualidade do ar interior são assegurados pela existência de ventilação cruzada e sombreamento, durante a estação quente. A vegetação assume aqui um papel fundamental como termoregulador. A plantação de árvores de folha caduca junto aos envidraçados sul e poente, permite controlar eficazmente a exposição solar, criando sombreamento no Verão, e permitindo a incidência directa dos raios solares no Inverno.
Nas fachadas orientadas a Norte reduziram-se as aberturas, à excepção de um vão que enquadra o bosque que se avista do corredor, de forma a evitar perdas térmicas na estação fria.
A obra construiu-se com materiais naturais como a pedra e a madeira, proveniente de florestas sustentadas, conjugados com telha e tijolo cerâmico e estrutura de betão.
