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Tutores POC: Pedro Campos Costa

May 04, 2010 - 07:22 PM
Tutores POC: Pedro Campos Costa

 

Pedro Campos Costa é licenciado em Arquitectura pela Universidade do Porto, Portugal em 1997. Pós-Graduação em “Planeamento e Construção Sustentável ” pela FEUCP - Faculdade de Engenharia da Universidade Católica Portuguesa. Trabalhou no UN STUDIO – Van Berkel e Bos, em Amesterdão, Holanda. e com Promontório Arquitectos em Lisboa. Desde Novembro de 2007 Sócio Fundador de Campos Costa arquitectos.
Vencedor do prémio Libero Ferretti “Dove abita l´utopia” – promovido pela Domus Academy – com a intervenção em Roma “Paisagens indivisíveis”, em 2000. Vencedor do prémio “ NEXT GENERATION” – promovido pela revista Metropolis em New York, com o projecto CASA não CASA, trabalho com integração de sistemas fotovoltaicos, em 2006. 
Tem realizado diversos projectos artísticos e cenografias. Actualmente é redactor da revista D´ars, sediada em Milão.
 
Mais Informação www.camposcosta.com

COMENTÁRIOS

.(JavaScript must be enabled to view this email address) 05/11 08:32 AM

E depois do adeus
Eurovisão 1974 – Paulo de Carvalho   Musica: José Calvario Letra: José Niza
(..)
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós 

Choramos na partida e no abandono, perante a possibilidade de perdermos. A perda é o sentimento que mais inspirou o homem ao longo da sua existência.  Na arte e na vida. A consciência da nossa efemeridade e da nossa perda permitem ao homem questionar-se e imaginar futuros ou mesmo criar imagens e/ou ilusões de momentos tão opacos para nós como por exemplo a morte. O fim.
Nesta nova epopeia da consciência global e da percepção do potencial fim da humanidade, não é posta em causa a sobrevivência do planeta em si, mas sim a nossa. Poder-se-ia dizer que é  a mesma coisa uma vez que não vivemos sem suporte, no vácuo. No entanto, é diferente. Evitar o fim e procurar a continuidade geracional é totalmente diferente do altruísmo, do sacrifício ou martírio em prol do bem dos ecossistemas naturais da terra. E que se saiba até hoje na terra, existem apenas as sardinas na costa oriental africana que todos os anos, sistematicamente, cometem suicídio colectivo em prol dos ecossistemas naturais. Altruísmo em prol dos ecossistemas e sem protecção directa ou indirecta da espécie. Pelo menos assim se pensa, por ser até hoje a única explicação científica plausível.
O petróleo permitiu o maior salto evolutivo na história da humanidade. Os ultimos 100 anos foram notáveis. O petróleo permitiu a produção em massa, a criação de energia barata e altamente eficiente, permitiu o desenvolvimento da tecnologia, da saúde, da agricultura, e, consequentemente, um crescimento populacional exponencial. O bem estar a milhões e milhões de pessoas e um crescimento económico inigualável e globalizado. (democratização de um certo nível de vida),
Se olharmos à nossa volta vemos petróleo, directamente ou indirectamente, nas nossas roupas, na nossa comida, nos edifícios, nos pavimentos, nos nossos móveis, nas nossas cozinhas. As cidades e a economia são construídas com petróleo. Não é simplesmente o recurso energético mais eficiente para energia móvel, é a base de um processo de desenvolvimento rápido, que permite com grande eficiência e rapidez, dar uma qualidade de vida massificada baseada na economia de mercado com um enorme sucesso e aceitação nas populações. Hoje o modelo é exportado, reproduzido em todos os países que procuram ou estão em vias de desenvolvimento, e nos famosos BRIC.  Quando falamos da substituição do petróleo não estamos a falar da substituição de um recurso por outro, estamos a falar da mudança de um paradigma de desenvolvimento. Seja carvão ou nuclear, a percepção seria sempre a mesma…e a pergunta também. É sustentável?
Então como se pode viver sem petróleo? Como é possível imaginar esta humanidade, esta civilização sem um dos seus pilares,  sem cairmos em respostas que passam pelo passado recente ou longínquo, sem a tentação em dizer que o futuro é o passado?
A resposta dificilmente passará pelo cenário de uma evolução contínua ou por algo que cresce mais e mais, até ao limites do espaço e dos recurso da terra. Esse cenário invariavelmente acaba num fim rápido e pouco imaginativo.  Em vez disso, uma metamorfose, a transformação de uma larva em borboleta*, a transformação para algo totalmente diferente.
Imaginar o mundo sem petróleo é como imaginar o mundo na idade média: adivinhar como seria a configuração da terra, se seria realmente redonda e o que existiria por esse mar adentro.
E depois do adeus, é um convite à partida, ao desafio de abandonar o que conhecemos para viajarmos pelas profundezas do desconhecido. Levantar os pés do chão. Concretamente abandonar o nosso suporte físico e imaginarmo-nos num suporte que não é natural à nossa sobrevivência mas que é deste planeta. A água. Talvez assim ou talvez aí,  possamos deixar o nosso passado de larva para passarmos a viver como borboletas ou porque não como sardinas altruístas.
Já no largo Oceano navegavam, 
As inquietas ondas apartando;
Os ventos brandamente respiravam,
Das naus as velas côncavas inchando;
Da branca escuma os mares se mostravam
Cobertos, onde as proas vão cortando
As marítimas águas consagradas,
Que do gado de Próteo são cortadas
Luís Vaz de Camões – Os Lusíadas, Canto I.


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