Premiados Europan10 na CdV a 26.02
Feb 22, 2010 - 11:18 AM

Os arquitectos Elisa Pegorin e Pedro Dias são os convidados da próxima sessão do ciclo de conferências promovido pelo projecto "A Casa da Vizinha não é tão Verde Quanto a Minha", a decorrer no dia 26 de Fevereiro, às 21h30, na Sede Nacional da Ordem dos Arquitectos. A entrada é livre.
Elisa Pegorin e Pedro Dias são os arquitectos coordenadores das equipas autoras dos projectos vencedores do Europan 10, em dois dos três locais portugueses a concurso.
A italiana Elisa Pegorin venceu o 1º prémio para o local de Cabreiro, em Cascais, com o projecto
Cidade Arável.
O arquitecto Pedro Dias ganhou o 1º prémio para o local do Entroncamento, promovido pela INVESFER, com o projecto
P2P 39’27’45, 29’’N8º2830.03’’W.
Este evento foi validado com um crédito pelo Conselho Regional de Admissão do Sul no âmbito da formação obrigatória em temáticas opcionais.
Gostaria de vos deixa a minha opinião dos projectos vencedores.
A equipa de Elisa Pegorin e Pedro Dias com o projecto de “Cidade Arável” apresentaram uma proposta onde procuram conciliar as ambições oníricas do Homem Urbano que procura viver no campo mas que possa ir às compras ao DolceVita. A Estratégia assenta numa ocupação do solo de baixa densidade, onde grande parte do seu uso está destinado ao conceito de Hortas Urbanas, criando assim um parque temático, com zonas de pomar, relvado, hortas, cultivo de flores. A proximidade do novo Hospital de Cascais assume-se através da colocação de blocos habitacionais em forma de U com logradouro virado para o interior da proposta, optimizando as vistas para o núcleo hortícola enquanto faz uma barreira de protecção e estabelece um paralelismo volumétrico urbano com os blocos de 4 pisos. A nova linha proposta do metro de superfície da região de Cascais é o eixo principal no qual assentam as infra-estruturas da proposta, introduzindo novos usos como o pedonal e o cicloviário.
Aparentemente a estratégia está bem consolidada e reflecte-se num desenho urbano capaz e bastante coerente e pragmático, embora sem grandes tentativas de inovação ou introdução de novos conceitos. No entanto, chamo atenção para como é que um plano destes pode sobreviver à pressão imobiliária dos terrenos afectos ao concelho em questão, onde a procura e o crescimento habitacional são assinaláveis, e até que ponto a introdução de hortas urbanas faz sentido num território que quando olhamos em redor é marcadamente rural, com baixa densidade, ou seja, estamos somente a dar mais do mesmo a estas pessoas. Se a proposta estivesse relacionada com algo mais do que a tentativa de tirar proveito do sentimento nostálgico que o português tem do uso e cultivo da terra, penso que seria uma proposta bem mais sustentável. È obvio que temos que procurar resolver os problemas um de cada vez, mas será esta a resposta mais assertiva às necessidades urbanas e de sistemas socioeconómicos do povoado da Aldeia do Cabreiro?