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[ecosistema urbano]
Mar 19, 2009 - 08:17 AM
A definição corrente de Ecossistema é clara ao referenciar um conjunto entre seres vivos e meio ambiente em relacionamento mútuo. Num planeta cada vez mais construído, onde grande parte da população habita em centros de características urbanas, torna-se importante considerar esta nova leitura da realidade como o ponto de partida para um entendimento entre Natureza e Cidade. É neste contexto que surge o colectivo [ecosistema urbano]. Criado em Madrid no ano 2000 por Belinda Tato, Jose Luis Vallejo y Diego García-Setién, define-se como "uma estrutura aberta a colaborações interdisciplinares", onde a investigação arquitectónica se cruza com o desenvolvimento sustentável para afrontar projectos de carácter inovador.
Os conceitos de Natureza Artificial estão sempre presentes no vosso trabalho. Acreditam que é necessário domesticá-la para a poder incluir na cidade? No inicio do século XXI, já conscientes da facilidade que o ser humano têm para modificar as condições climáticas e naturais do planeta onde vivemos, o conceito de paisagem ou natureza foi redefinido. A Natureza já não só o que vive e a paisagem não é apenas aquela cena bucólica que tinha a capacidade de emocionar os românticos. Hoje sabemos que existe natureza artificial e que toda a natureza tem algo de artificio. Os arquitectos devem deixar de pensar apenas em termos de materialidade. O homem cria condições artificiais, configura ambientes -naturais ou artificiais- que também são arquitectura. O uso de meios imateriais pode ser tão importante como o uso de meios materiais para definir um espaço.
Urbanismo evolutivo, processos de ocupação e espontaneidade são conceitos fora do comum mas presentes no vosso método de trabalho. Que importância dão à liberdade individual do usuário nos vossos projectos? Entendemos a arquitectura como processo reversível que, devido à sua lentitude, requere capacidade de antecipação, tornando-se necessário um pensamento estratégico que conte com a dimensão temporal como material de projecto. Interessa-nos a arquitectura do tempo limitado, o desenho com prazo de validade, a arquitectura ligeira projectada para a sua construção e também para o seu desmantelamento. entendemos o projecto de arquitectura como um plano de gestão da vida de um objecto. A sua permanência como valor arquitectónico deve ser questionada e provada, não assumida sem mais nem menos. Por outro lado, a ideia de evolução e flexibilidade na arquitectura deve ser associada a estruturas de vida limitada e organizações dependentes da sua localização e interacção com outros artefactos. Interessa-nos a arquitectura como suporte que possibilite a actividade humana em total liberdade. Quando está carregada de ideologia pode ser constritiva e prejudicial -social, psicológica ou fisicamente- para quem a use. Apenas a arquitectura ditatorial se impõe ao usuário. Propomos uma arquitectura para a liberdade e para a incerteza, sempre a partir da realidade e longe das utopias e de soluções universais que procuram a resolução de todos os problemas. Esta ideia juntamente com o nosso interesse pela tecnologia leva-nos a um conceito de arquitectura como mecanismo capaz de possibilitar, acondicionar e providenciar uma maior utilidade ao indivíduo e um campo de actividades mais amplo.
A vossa prática conceptual está bem complementada com a construção. Podemos dizer que em Espanha é fácil manter a coerência entre um ponto e outro, construindo com inovação e qualidade? Acreditamos que a arquitectura verdadeiramente inovadora se encontra no limite entre o real e o possível. O arquitecto em Espanha é uma figura que opera pontualmente na cidade como um dentista, que coloca uma peça num contexto mais ou menos consolidado, ou como um ortopedista, implantando próteses que substituem ou corrigem algum membro que deixou de funcionar correctamente. O arquitecto dedica-se a resolver problemas em vez de utilizar a arquitectura como instrumento preventivo. Uma atitude mais inteligente e sustentável. Por outro lado, face a posturas teórico-criticas passivas relacionadas com a arquitectura, tentamos manter a postura do colocar em acção, a partir de uma observação critica e propositiva sobre a realidade, que utilizamos como mecanismo de projecto. Parece-nos fundamental contrastar o que fazemos com a realidade crua, e procuramos produzir projectos que não exclusivamente produtos do consumo para arquitectos. Existem múltiplas analogias relacionadas com modos de operar em arquitectura, e parece-nos importante realçar uma, pouco comum: o arquitecto deve também, como se fosse um experiente cirurgião, quando é preciso não actuar, questionando a relevância e necessidade da sua intervenção. Mais Informação www.ecosistemaurbano.com

uma excelente de plataforma de investigação e informação. parabéns não deixem de passar pelo site.