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Cork House
Oct 20, 2009 - 11:02 PM
Um processo inusual, no qual o cliente nos convenceu ser possível construir com um orçamento tão restrito. Pela sua tese o tempo mostraria que o limite orçamental não seria tão inibidor. Na condição extinta de representante do núcleo duro da família, empenhou-se na substituição de uma construção obsoleta pela “cork”, conseguindo uma nova sede – o ponto de encontro de todos nos períodos de férias. A implantação foi resolvida por afectividade. A orientação, pela exclusão de partes; consegue a maior privacidade possível, dado estar eliminada a possibilidade de construção a Sul.
Desligado de retórica, atalhou para os pontos de concórdia num processo participado pelas quatro filhas (casadas) e cônjuge, de forma a elaborar um enunciado sólido, que tardou entre as dez personalidades vincadas. Tendencialmente evocativa de uma estrutura mais impessoal, para o universo “casa”, serve de embalagem (tolerada) a essas personalidades, sem cair na tentação de algo que se assemelhasse a um hotel de família.
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A sujeição a condições subjacentes à variação da pequena comunidade, formaliza um interior quase trabalhado em bruto: um sistema simplificado de divisórias leves em painel de madeira reciclada com cimento, carpintarias standard, tectos com laje à vista e pavimentos talochados pintados pintados à cor que empresta ambiente às paredes brancas. Pelo exterior, um denso revestimento de bloco de aglomerado de cortiça envolve a totalidade do volume, declarando uma distância amigável: estranha à envolvente construída, amena e familiar aos terrenos cultivados em redor, que adoptámos enquanto paisagismo vivo. Em vez de plantarmos arbustos ou belas flores ornamentais dispendemos bastante energia convencendo que valeria a pena fazer as pazes com o campo lavrado, a mata e o grande limoal. A nossa proposta paisagista foi: podar, limpar, lavrar e tratar.
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As portadas perfuradas, que conseguem uma ventilação muito eficaz, encerram todos os vãos filtrando a luz natural, reforçando uma aparência fortificada e tornando difícil a percepção se a casa está ocupada ou desabitada. A porta de “entrada” desaparece ao fundir-se com o portão de fole da garagem.
Já lhe arranjaram muitos “nick names”: pavilhão, a cortiça, o abrigo. Não deixa por isso, de ser uma casa. Portuguesa de certeza: nas alvenarias de bloco de argila expandida, nos elementos pré esforçados, no painel de madeira reciclada, no bloco de cortiça e caixilharias de alumínio, tudo de produção nacional.
“Cork” acolhe a causa ambiental, acreditando também que o acto mais cimeiro de ambientalismo é a disciplina orçamental.
FICHA TÉCNICA
localização Palmeira de Faro / Esposende área do lote 8.900m2 área bruta de construção 288 m2 dono de obra Maria Helena Ramos / Hernâni Lopes construção Construções Irmãos Ramalho Lda. data projecto 2004-2005 data construção 2008 arquitectura Arquitectos Anónimos® fundações e estruturas Ricardo Fonseca instalações eléctricas Luís Fernandes instalações hidráulicas Luís Picotês Gonçalves instalação de gás Luís Fernandes © Fotografia Ricardo Loureiro

Acabo de ver o vosso trabalho na exposição da Geração Z da Ordem dos Arquitectos e gostei bastante… Parabéns.