A TERRA DO FUTURO
Mar 18, 2009 - 05:43 AM
L'uomo "moderno" ha difficoltá nel vedere che, a volte, la soluzione di alcuni problemi non sta di fronte, ma in alcuni passi indietro. Architecto Roberto de Marchi
Constrói-se em terra à mais de 6000 anos e actualmente 30% da população mundial habita em construções de terra, cerca 3 biliões de pessoas em 6 continentes.
Esta técnica construtiva está associada aos países pobres e subdesenvolvidos, à pobreza social e económica, onde a sociedade "moderna" do consumo, da standarização e do cimento ainda não chegou ou ainda não está ao alcance dessas comunidades. Não se encontram muitos exemplos no mundo, em que estas construções sejam feitas por opção devido às suas qualidades estéticas e vantagens ambientais.
No entanto, nos últimos anos tem havido um forte renascimento da construção em terra especialmente no mundo Ocidental e associado à construção de qualidade.
Inevitavelmente nos processos de reabilitação e recuperação de edifícios, construídos com estas técnicas; academicamente, nas escolas de arquitectura em toda a Europa começam a aparecer diversos departamentos para a investigação e vários cursos para o ensino. Desde a Universidade de Grenoble (França) a mais antiga especializada nesta área, Universidade de Bath (Inglaterra) que criou um departamento de arquitectura em terra ou a universidade técnica de Berlim e de Kassel (Alemanha), as mais famosas pelos engenheiros mais avançados nos cálculos da construção em terra. Recentemente nos Estados-unidos a MIT - massachusetts institute of technology, lançou um programa de Rammed heart (taipa), que teve uma forte vertente prática muito apreciada pelos alunos, pelo que o enorme sucesso do programa levou os organizadores a pensarem em criar um programa permanente.
Mas para além destas evoluções no campo académico e na reabilitação, começam a aparecer exemplos de casas contemporâneas, construídas com grande qualidade arquitectónica.
É aqui que se nota com maior evidência uma nova atitude. No terreno, construção efectiva de diversos edifícios de grande qualidade construtiva e arquitectónica. Tais como as casas do arquitecto Rick Joy no Texas, USA, os balneários de Roger Boltshause num parque desportivo em Berlim, a Igreja da reconciliação de Reiterman/Sassenroth em Berlim ou mesmo o cemitério de Martin Rauch em Schweiz na Áustria e tantos outros, são exemplos de como se pode utilizar a terra de uma forma totalmente contemporânea, sem cair em clichés ou imagens do nosso imaginário etnográfico.
Estas novas construções em terra, não têm preconceitos construtivos, usam Lages de betão com paredes estruturais em Taipa (terra pisada), ou estrutura de madeira com paredes em taipa. Existem inclusivamente algumas experiências feitas por Martin Rauch na Áustria na pré-fabricação de taipa. A exploração da técnica tradicional fazendo melhoramentos com a capacidade tecnológica dos nossos dias é uma das revoluções desta geração de arquitectos que constroem com a terra. Uma técnica construtiva muitas vezes desprezada por se pensar que esta só poderia ser construída manualmente e de forma tradicional.
A mistura com diversos tipos terras com cores diversas, é uma técnica utilizada inicialmente por Martin Rauch para potenciar a plasticidade e conseguir maravilhosas composições. A plasticidade matériça destas paredes, com um sem fim de texturas e cores são claramente um dos maiores atractivos mais apreciados da reintrodução desta técnica. Sem esquecer todas as óbvias mais valias que estas tecnologias tradicionais têm ao nível construtivo, em questões térmicas, económicas e ambientais.
Não é só com este tipo de construção, que a capacidade dos edifícios de se comportarem de modo eficiente, está muitas vezes associado a implantação ou reinvenção de simples práticas construtivas que sempre existiram na arquitectura tradicional, como ventilação transversal, emsobramento dos vão virados a sul, chaminés de vento em climas secos, grandes vãos em climas frios, construções em taipa em climas de grande amplitude térmica, etc.... Sem dúvida que as vantagens da industrialização, sistematização e a tecnologia e inovação da construção e dos materiais, fizeram-nos de alguma maneira esquecer alguns dos princípios construtivos óbvios ligados às questões climáticas, topográficas ou geológicas dos sítios.
A construção em terra não será a resposta a todos os problemas, tenho a certeza que não será um resposta capaz de ser generalista e globalizante em todas e para todas as regiões do globo. Porém é uma solução que pode e deve ser considerada, experimenta reinventada e em algumas situações e zonas do globo será com certeza a resposta certa e adequada para uma construção mais eficiente e durável.
Na era da procura de respostas para a sustentabilidade do planeta, muitas das respostas, estão na reinvenção do passado e na recuperação de coisas tão simples como as técnicas de construção tradicional.
foto de pedro campos costa - martin rauch- cemetério -schweiz, austria